Sábado, 10 de outubro de 2026
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Economia

Em Lages, o agronegócio tem muito campo para se desenvolver

Levando-se em conta contribuição do setor agropecuário em cerca de 4% do PIB de Lages (R$ 8,3 bilhões), e sendo o território municipal o maior do Estado de Santa Catarina, há muito “campo” para o agronegócio se expandir e desenvolver

Fotos: Iran Rosa de Moraes/PML

Por Iran Rosa de Moraes/PML

Dados da Gerência de Movimento Econômico, da Secretaria da Fazenda, da Prefeitura de Lages apontam para a movimentação econômica do município (Valor Adicionado Fiscal) referente às atividades do setor agropecuário, englobando a agricultura, pecuária e florestal, no quadriênio 2022-2025. O Valor Adicionado (VA) compreende a produção anual do setor agropecuário declarado, englobando universo de 1.389 estabelecimentos rurais existentes em Lages (Censo IBGE).

Em 2022, o Valor Adicionado agropecuário foi de R$ 350.128.481,31, enquanto que em 2023 totalizou R$ 363.550.799,03. Já em 2024 alcançou R$ 308.280.905,61. Levantamento parcial de 2025 somou R$ 343.565.895,42, sendo que o montante do VA definitivo do ano de 2025 só será divulgado pelo Estado no final de 2026.

Ao se analisar os números do quadriênio (2022-2025), o setor agropecuário contribuiu com percentual médio de 4% a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) de Lages.

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Outro dado importante é o valor do ICMS repassado pelo Estado ao município, decorrente da atividade agropecuária, no período de 2022 a 2025 que já soma R$ 32.116.703,91.

O maior número de propriedades rurais do município de Lages, cerca de 1.000, se enquadra na Agricultura Familiar. As médias e grandes propriedades (de 200 a 500 hectares) totalizam 240 estabelecimentos rurais. E na lista de propriedades com mais de mil hectares, o Censo Agropecuário (IBGE) registrou um total de 55.

 

Potencial do agronegócio e turismo rural

Lages possui o maior território municipal do Estado de Santa Catarina, com 2.638 quilômetros quadrados, dos quais 260.861 hectares ocupados com atividades agropecuárias e de turismo rural (Censo Agropecuário - IBGE).

Apresenta potencial promissor, considerando-se esses ativos econômicos, somados ao conjunto de serviços e obras públicas realizados, em execução, e planejados.

Veja que a safra de soja 2024 - 2025 apresentava estimativa de uma colheita de 53.960 toneladas, segundo dados da Empresa de Pesquisa e Extensão Rural (Epagri). Do total de área plantada, em Lages, as culturas de maior ênfase são a soja (14.200 hectares) e o milho (3.700 hectares). Lages é o 14º município catarinense no ranking da produção de soja e milho.

Na produção de pinus (madeira) e moranguinho, é o segundo maior produtor. Esses dados são do Observatório Agro Catarinense (Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola - Cepa/Epagri).

Ainda de acordo com esta mesma fonte de pesquisa, em 2017 a madeira em tora para papel movimentou R$ 27.867.000, com uma participação de 19,5% em relação ao Valor Adicionado do movimento econômico agropecuário, que foi de R$ 140.712.776,33. Em segundo lugar ficou a comercialização de bovinos - R$ 27.172.000 (19%), em seguida a soja, contabilizando R$ 25.367.000 (17,7%), e a madeira em tora para outra finalidade que não a da fabricação de papel, com R$ 17.291.000 (12,1%).

Novos Investimentos

Entretanto, o município carece de novos investimentos. O potencial de desenvolvimento do agro, em Lages, precisa ser melhor explorado. O município tem o maior rebanho bovino de Santa Catarina - 88 mil cabeças, porém o gado de corte é em grande parte vendido e abatido em frigoríficos de outras cidades, e isto não agrega valor à carne produzida no campo, que é de excelente qualidade.

Lages tem também expressivas indústrias de fabricação de painéis (MDF) e madeira serrada, produtos que podem ser utilizados em plantas moveleiras e de esquadrias.

Para isso, parcerias do poder público municipal, com instituições, a exemplo da Epagri e Cidasc, Associação Empresarial de Lages (Núcleo do Agronegócio), sindicatos e universidades são classificadas como essenciais para a elaboração de projetos de desenvolvimento rural.

E neste contexto, Lages necessita reativar o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e implementar o Plano Municipal de Desenvolvimento Rural, como dispositivos legais e democráticos para avaliação, aprovação e direcionamento de investimentos a serem feitos no setor agropecuário municipal.

Valor Adicionado Fiscal (VAF) e sua importância para Lages

Segundo o ex-secretário da Fazenda, da Prefeitura de Lages, Valmor Schweitzer, as receitas dos municípios têm duas origens principais: recursos próprios e transferências.

Entre os recursos próprios estão o IPTU, ISQN, ITBI, taxas e contribuições municipais. Já nas transferências estão o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), repassado pela União, e as parcelas do ICMS e do IPVA que pertencem aos municípios.

Em Lages, o ICMS tem grande importância para as receitas municipais. Em Santa Catarina, sua distribuição considera principalmente o Valor Adicionado Fiscal (VAF), além de outros critérios previstos em lei.

O VAF representa a movimentação econômica gerada pelas atividades realizadas no município. Ele é o principal componente do Índice de Participação dos Municípios (IPM), respondendo por 85% de sua formação.

Como é calculado - Anualmente, os contribuintes inscritos no cadastro do ICMS informam à Secretaria de Estado da Fazenda os valores de suas saídas, serviços e entradas. Essas informações, incluindo a produção agropecuária, são utilizadas na apuração do VAF municipal.

De forma simplificada: VAF = Saídas + serviços − Entradas

Por que isso importa para Lages? - Quanto maior for a atividade econômica realizada e corretamente registrada em Lages, maior poderá ser sua participação na distribuição do ICMS. Por isso, fortalecer a indústria, o comércio e, especialmente, o agronegócio significa ampliar não apenas a produção, o emprego e a renda, mas também a base econômica que influencia as receitas do Município.

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