Quarta-feira, 12 de agosto de 2026
MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade
Cultura

Morre Laélio Bianchini, um dos pioneiros do turismo rural e símbolo do tradicionalismo serrano

Fundador da Fazenda do Barreiro ajudou a transformar Lages em referência nacional no turismo rural e deixa um legado de hospitalidade, cultura e valorização das tradições campeiras

Fotos: Toninho Vieira/PML

A Serra Catarinense perdeu nesta terça-feira (15), uma de suas figuras mais emblemáticas. Morreu Laélio Bianchini da Costa Ávila, carinhosamente conhecido como "Tio Lélo", personalidade que marcou a história do tradicionalismo, da cultura campeira e do turismo rural brasileiro.

Ao lado da esposa Tânia Ferreira Ávila, Laélio foi responsável por transformar a Fazenda do Barreiro em uma referência nacional de turismo rural, fazendo da hospitalidade serrana um dos principais atrativos da região. 

Durante décadas, o casal recebeu milhares de visitantes do Brasil e do exterior, oferecendo uma experiência baseada nas tradições tropeiras, na gastronomia típica, nas cavalgadas e no modo de vida do campo.

Mais do que empresário do turismo, Tio Lélo tornou-se um verdadeiro embaixador da cultura serrana. Com seu jeito simples, acolhedor e bem-humorado, conquistava hóspedes contando histórias, compartilhando costumes e apresentando o cotidiano das fazendas da região.

Da contabilidade à vida campeira

Natural da Fazenda Morrinhos, Laélio iniciou sua vida profissional na área da contabilidade. No entanto, foi o amor pelo campo e pelas tradições serranas que mudou o rumo de sua história e da história da Serra Catarinense.

Ao lado de Tânia, decidiu investir em um modelo de turismo ainda pouco conhecido no Brasil na década de 1980: abrir as porteiras da própria fazenda para receber visitantes interessados em vivenciar a rotina do meio rural.

A iniciativa deu certo e ajudou a consolidar Lages como a "Capital Nacional do Turismo Rural", atraindo turistas interessados na cultura tropeira, na culinária típica, nos cavalos, na natureza e na hospitalidade característica da Serra Catarinense.

Publicidade

Uma história de amor que virou referência

A trajetória de Laélio também ficou conhecida pela parceria construída com Tânia Ferreira Ávila, considerada um dos casais mais representativos do turismo catarinense.

A história dos dois foi contada em diversas reportagens, de diferentes veículos de comunicação, ao longo dos anos, retratando não apenas uma relação familiar, mas também uma união dedicada à preservação da cultura regional e ao fortalecimento do turismo como atividade econômica e cultural na Serra Catarinense.

Mesmo após transferirem a administração da Fazenda do Barreiro ao filho Eduardo Ferreira Ávila, Laélio e Tânia continuaram sendo a principal referência afetiva do empreendimento, recebendo visitantes e preservando o espírito que tornou a propriedade conhecida nacionalmente.

Ao lado da espeosa Tânia, Tio Lélo transformou a história do turismo rural na Serra Catarinense

Reconhecimento pelo pioneirismo

Ao longo da carreira, Laélio recebeu homenagens pelo trabalho desenvolvido em favor do turismo rural. Entre os reconhecimentos está a homenagem da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), que destacou seu pioneirismo e sua contribuição para o desenvolvimento turístico do Estado. 

O reconhecimento foi considerado um dos mais importantes concedidos ao setor, simbolizando o impacto de sua atuação para além das fronteiras catarinenses.

Legado permanece

A Fazenda do Barreiro, fundada no século XVIII e aberta ao turismo desde 1986, permanece como um dos principais destinos de turismo rural do Brasil, mantendo viva a proposta idealizada por Laélio e Tânia: oferecer uma experiência autêntica da cultura serrana.

Seu legado também se reflete na valorização do patrimônio histórico, das tradições gaúchas e do modo de vida campeiro, elementos que ajudou a preservar e divulgar durante décadas.

A morte de Tio Lélo representa a despedida de uma geração que acreditou no potencial da Serra Catarinense muito antes de o turismo rural se consolidar como segmento econômico.

Com seu trabalho, ajudou a projetar Lages nacionalmente, inspirou empreendedores, fortaleceu a identidade cultural da região e mostrou que a hospitalidade do povo serrano poderia se transformar em uma das maiores riquezas locais.

Hoje, mais do que um pioneiro do turismo, a Serra se despede de um homem cuja história se confunde com a própria história do turismo rural catarinense. Seu legado permanece vivo nas paisagens da Fazenda do Barreiro, nas tradições que ajudou a preservar e na memória de todos que tiveram a oportunidade de cruzar seu caminho.

Compartilhar
Publicidade

Leia também